A Kerel Kaishaku é uma das cervejas mais ousadas da Bélgica: 15% de álcool, uma levedura recuperada de garrafas centenárias e um toque de inspiração japonesa.
Vem de Tielrode, uma pequena vila da região de Waasland, no norte da Bélgica, onde a cervejaria VBDCK a produz. Tem carácter quase vínico, corpo cheio e um final quente, e foi pensada para ser bebida devagar.
Uma cervejeira que renasceu das próprias garrafas
A história começa em 1867, ano em que foi fundada a cervejaria Verbeeck-Back, em Tielrode. Em 1908, Jules Verbeeck e Laura Back começaram a produzir a Kerel, uma cerveja local que acompanhou a vila durante décadas. Em 1966, ao fim de quase um século, a cervejaria fechou portas e a Kerel desapareceu.
Em 2015, a família De Cock comprou o antigo edifício e decidiu devolver-lhe a vida. Charlotte De Cock e o irmão, Joseph, juntaram o seu apelido ao dos fundadores e assim nasceu a VBDCK: Verbeeck – Back – De Cock.
Durante as obras, foram encontradas nas caves garrafas antigas de Kerel, intactas, escondidas sob os escombros. Com a ajuda de cientistas da Universidade de Gent, a equipa conseguiu reativar a levedura original. É essa levedura que dá hoje identidade à gama Kerel, que conta com oito cervejas, de uma Bière de Garde maltada até à Kaishaku.
Kerel Kaishaku: O que tem de diferente?
Kaishaku é uma palavra japonesa ligada ao antigo ritual samurai do seppuku, onde designa o golpe final dado por um assistente. O nome é uma provocação assumida: o importador norte-americano chega a apresentá-la como “Sake Suicide Blonde”.
Para chegar aos 15% de álcool, a cervejaria usa uma levedura desenvolvida especialmente para trabalhar com teores alcoólicos elevados. O resultado é uma Golden Strong Ale belga com um toque japonês, assumido no nome e no espírito.
Estilo: Belgian Golden Strong Ale / ABV: 15% vol.
No copo apresenta uma cor dourada a âmbar, ligeiramente turva. No aroma sobressaem o malte doce e notas de fruta, entre citrinos e fruta tropical. Na boca é encorpada, maltada e de sabor generoso, com um final ligeiramente amargo em que o álcool aquece sem pressa.
Uma cerveja para servir com tempo
A Kaishaku não é cerveja para várias rondas. Pede doses pequenas e conversa à mesa. Funciona bem no fim da refeição, como digestivo ou como alternativa a um vinho do Porto.
Sugestões de harmonização:
- Queijos intensos e curados, como um Queijo Serra da Estrela ou um queijo azul
- Sobremesas ricas, sobretudo de chocolate
- Pratos de carne e cozinha condimentada
- Peixes gordos, como arenque ou cavala
- Sushi de peças mais intensas, como salmão ou unagi (enguia grelhada)
Num bar ou restaurante, é uma cerveja que traz história à carta. O resgate da levedura, o nome japonês e os 15% são argumentos fáceis para a equipa a recomendar. Destaque-a na secção de cervejas especiais ou junto à tábua de queijos.
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Uma cervejeira com mais de 150 anos, uma levedura resgatada das caves e uma cerveja que não pede licença: a Kerel Kaishaku é para quem gosta de cervejas com personalidade.
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Fontes: Waasland: Brouwerij VBDCK, Elle Belgique, Artisanal Imports, VBDCK, Bierista, Birrapedia: Kerel Kaishaku, The Dieline

